domingo, 19 de novembro de 2017

Balanço do Congresso Internacional "Fortifications of the Metal Ages in Europe"

O Projecto Outeiro do Circo participou no congresso "Fortifications of the Metal Ages in Europe" realizado entre os dias 10 e 12 de Novembro em Guimarães. Tratou-se de uma organização da Comission Metal Ages in Europe da UISPP e da Sociedade Martins Sarmento que juntou diversos especialistas europeus em dois dias de congresso e mais um dedicado a visitas a diversos sítios arqueológicos. 
A apresentação sobre o Outeiro do Circo centrou-se numa análise poliorcética às muralhas deste povoado, sendo também abordados aspectos relacionados com as técnicas construtivas e com a simbologia e o significado que esta impressionante estrutura representaria.
Após uma breve introdução destinada a apresentar em traços gerais os antecedentes do Projecto Outeiro do Circo, destacaram-se os principais objectivos e resultados dos dois projectos de investigação realizados entre 2008 e 2017, para de seguida se entrar na análise propriamente dita. 
Foto: Sociedade Martins Sarmento
Foto: Sociedade Martins Sarmento
Foto: Sociedade Martins Sarmento

A análise poliorcética às muralhas do Outeiro do Circo teve em conta diversos elementos como a extensão da área protegida, as dimensões da muralha, as características dos dois sistemas defensivos existentes (dupla linha de muralha a Sudeste e linha única a Noroeste), a existência de reforços defensivos como os bastiões de entrada e a própria orografia interna e da envolvente ao povoado. Foram também mostrados alguns resultados obtidos através de acções de arqueologia experimental com recurso a arco e flecha e funda para testar os alcances de tiro máximo e efectivo a partir das muralhas (trabalho feito em colaboração com Filipe Pina a quem agradecemos). Posteriormente foram abordados os aspectos relacionados com as técnicas construtivas observadas na área onde se escavou um troço da muralha, nomeadamente na conjugação dos vários elementos constituintes, como a rampa de barro cozido e as plataformas de terra compactada sobrepostas e a sua relação com os muros superior e inferior para além do fosso exterior. De modo muito breve e para finalizar a apresentação sinalizaram-se alguns dos aspectos simbólicos desta estrutura, como a sua grande visibilidade numa área de vasta planície e o impacto que poderia ter quer sobre as comunidades que a construíram, quer sobre os eventuais inimigos ou forasteiros. 

Resta-nos partilhar a imensa honra que foi participar num encontro de nível tão elevado onde pudemos assistir a conferências sobre fortificações de diversos pontos da Europa, pois para além dos colegas portugueses, estiveram presentes casos de Espanha, Itália, Alemanha, Reino Unido, Roménia, destacando-se alguns sítios e projectos emblemáticos como Los Millares (Espanha), Coppa Nevigata (Itália), Manching (Alemanha) e o extraordinário projecto em curso em Heuneburg (Alemanha) que envolve um valor superior a 8 milhões de euros (!!!), revelador de uma aposta no património arqueológico muito diferente da praticada aquém fronteiras!
Foto: Sociedade Martins Sarmento
Foto: Sociedade Martins Sarmento

Por fim, deixamos aqui os nossos agradecimentos à organização pela oportunidade que nos foi concedida e ao extraordinário acolhimento por parte dos responsáveis pela Sociedade Martins Sarmento. 



quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Congresso Internacional "Fortifications of the Metal Ages in Europe: Defensive, Symbolic and Territorial Aspects"

Como já anunciado anteriormente, o Projecto Outeiro do Circo vai estar presente no congresso internacional "Fortifications of the Metal Ages in Europe: Defensive, Symbolic and Territorial Aspects" a ter lugar em Guimarães entre 10 e 12 de Novembro.
Trata-se de uma organização da UISPP (Union Internationale des Sciences Préhistoriques et Protohistoriques) - Comission Metal Ages in Europe, em conjunto com a Sociedade Martins Sarmento, que conta com um vasto programa incidindo em temas como a Teoria sobre fortificações na Pré e Proto-História Europeias e com apresentações de diversos casos de estudo agrupados em blocos cronológicos desde o Calcolítico, passando pela Idade do Bronze até à Idade do Ferro. 
O Projecto Outeiro do Circo apresentará a conferência "Uma muralha no meio da planície. Análise poliorcética, técnica e simbólica da muralha do povoado fortificado do Bronze Final do Outeiro do Circo (Beja, Portugal).
Esta será sem dúvida uma grande oportunidade de divulgação do trabalho desenvolvido desde 2008 neste emblemático povoado da Idade do Bronze da região de Beja e de afirmação da sua importância científica num congresso onde haverá lugar a apresentações sobre alguns dos mais importantes povoados fortificados europeus com destaque para o de Heuneburg na Alemanha, entre muitos outros exemplos de Portugal, Espanha, Inglaterra, Itália, Roménia e de outras regiões europeias. 
A comparação do trabalho desenvolvido no Outeiro do Circo com alguns dos grandes projectos europeus nesta matéria servirá também de mote para a discussão a iniciar em breve sobre as condições futuras para o desenvolvimento de um novo projecto para este sítio.
Aqui fica o programa final do encontro.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Programa Cidade Viva

Entrevista a Miguel Serra, coordenador do Projecto Outeiro do Circo, para o programa Cidade Viva, da responsabilidade da União de Freguesias de Beja.
Entrevista conduzida por Natasha Lemos.


terça-feira, 24 de outubro de 2017

Documentário sobre o Outeiro do Circo

Ao longo do mês de Agosto decorreram filmagens para um documentário sobre o Outeiro do Circo. Este projecto, abraçado pela realizadora colombiana Andrea Mendoza, decorreu em simultâneo com as escavações arqueológicas da campanha de 2017, mas foi adquirindo uma vida própria que o transformou em muito mais do que um documentário sobre arqueologia ou sobre o sítio que lhe serviu de inspiração. 
O guião, discutido e trabalhado à distância nos meses prévios, foi ganhando novos contributos a cada nova realidade contactada e levou a equipa a procurar outros lugares onde filmar a estória que se pretende contar.
Esta será a estória de um vento, inicialmente anónimo, que todos os dias visita o Outeiro do Circo e varre as suas encostas, não ultrapassando a sua espinha dorsal para continuar o seu caminho pela vertente oposta, fenómeno registado pela oralidade sábia de gente antiga que baptizou de Olival de Corta Vento uns terrenos ali próximos já em plena planície. 
Foi a busca deste vento, do seu percurso e da sua ancestralidade que conduziu o olhar e a câmara da Andrea levando-a a percorrer diversas paragens, desde a Serra da Arrábida, à Mina de São Domingos, passando pelas margens do Guadiana, para além de muitos espaços em Beja ou Mombeja e nos campos à sua volta.  

De muito mais fala este documentário, que através da visão artística da Andrea mostra as mãos que trabalham o barro e o pão, as vozes que se elevam desde a planície, de como se contam histórias e muito mais que por agora não queremos revelar, deixando essa oportunidade para o momento da sua apresentação pública. 

Queremos no entanto deixar aqui o profundo agradecimento a todos os que contribuíram para este imenso trabalho, quer como participantes activos quer como colaboradores na sombra, e cujos nomes serão anunciados na totalidade em momento mais oportuno.
Resta dizer que durante o tempo de estadia da autora criou-se a oportunidade de mostrar outros seus trabalhos graças à colaboração com a Câmara Municipal de Beja através do Centro UNESCO, local onde foram exibidos dois outros documentários, Alto Contrasto e Dandelion, que juntaram perto de 80 pessoas em duas noites quentes de Agosto. 


Os trabalhos de pós-produção ainda nos irão consumir mais algum tempo mas esperamos divulgar em breve a data e o local da exibição do Xaroco, nome por fim dado ao vento que serve de título ao documentário.

Entrevista de Andrea Mendoza para o Diário do Alentejo

Andrea Mendoza, natural da Colômbia 

Doutorou-se em Milão, em Design Industrial e Comunicação Multimédia, em 2008, onde apresentou uma dissertação sobre a criatividade primordial como elemento essencial da sustentabilidade. São diversificadas as áreas onde desenvolveu trabalhos: biologia marinha, fotografia, semiótica, psicanálise e ensino. Nesta última área, foi professora convidada na Universidade de Jiangjan, na China. Trabalhou como copywriter e editora na rádio e televisão. Visitou o mundo através de uma objetiva e neste momento está em Beja a filmar o seu mais recente documentário.

Visual raconteuse (contadora de histórias visuais), é assim que se define. A autora de documentários como “Berlim Ocupado”, de 2013, e de “AltoCostrasto”, filmado em 2015, no Nepal, e apresentado em Beja na passada semana, está a preparar um novo trabalho em Portugal. Mais precisamente sobre o Outeiro do Circo. Com formação na área do Design e Comunicação Multimédia, correspondente de diversas revistas de arte, tem vindo a trabalhar em locais tão distintos como Israel, Índia, Turquia, África do Sul ou Japão. Neste momento está em Beja a preparar “Xaroco”. A tradição oral e a arqueologia ligadas, sob um só fio condutor.

Está em Beja, a filmar um novo trabalho, em colaboração com o projeto Outeiro do Circo. Concretamente, o que se pretende com este novo documentário?
A intenção é ter uma proximidade com as características da arqueologia dos nossos dias e promover uma discussão à volta do seu instrumental, numa área meramente científica, mas também no seu âmbito social, valorizando o seu contexto geográfico e cultural, não desde o seu passado longínquo, mas salientando a sua validade atual e futura.

Como surgiu a ideia de vir a Portugal, em especial a Beja, para realizar mais um trabalho?
No ano passado vim visitar um grande amigo, Rui Gaibino, que, durante a rodagem do meu último documentário, “Dandelion”, me apresentou Florival Baioa, uma pessoa que passou a ser central neste filme. “Dandelion” é uma aproximação à “beleza” e fala de algum modo de arqueologia, de fragmentos de vida, de reconstrução. Assim, este ano, através destas pessoas, pude contatar Miguel Serra [arqueólogo responsável pelas escavações] e atraiu-me muito a paixão, a “beleza” e as vitórias que tem alcançado com o seu projeto Outeiro do Circo, sobre o qual decidimos rodar este documentário, chamado “Xaroco”. A minha primeira visita ao Alentejo foi em 2007.

Durante esta estadia sabemos que está a colaborar com entidades locais, nomeadamente com o grupo Cantadores do Desassossego. Qual a importância do cante neste trabalho?
A tradição oral, a sua importância na transmissão de saberes e a sua pertinência para “falar” do futuro, ouvindo as vozes do passado. Nisto, digamos que “o vento” (por isso o nome “Xaroco”) é uma peça importante. Assim que estas vozes cantam, a música fala, como se os “muros” tivessem voz. Além da estupenda presença dos Cantadores do Desassossego, também contamos com a participação dos Tango Paris, saindo um pouco daquilo que é convencional nos documentários científicos.
Natacha Lemos



domingo, 22 de outubro de 2017

Balanço do Ciclo de Conferências Outeiro do Circo 2017

O último ciclo de conferências do projecto de investigação do Outeiro do Circo, decorrido ao longo do passado mês de Agosto totalizou 92 participantes nas 3 conferências e no workshop inaugural. 
Manteve-se o objectivo de trazer a Beja diversos investigadores na área da arqueologia que neste último ano abordaram temáticas relacionadas com os grandes povoados da Idade do Bronze do Sudoeste Peninsular.
Foi assim possível dar a conhecer o trabalho desenvolvido noutras regiões de modo a permitir um maior enquadramento das acções desenvolvidas no Outeiro do Circo. 
Estas sessões também cumpriram a dupla função de proporcionar um programa de formação aos voluntários que participaram nas escavações do Outeiro do Circo e ao mesmo tempo serem uma mostra de conhecimento para a população em geral, sobretudo os mais interessados nestas temáticas. 
A primeira sessão, que não estava integrada no ciclo de conferências propriamente dito, teve lugar no salão do Centro Lidador no dia 2 de Agosto e ficou a cargo de um dos colaboradores de longa data deste projecto, o arqueólogo Rafael Ortiz, que nos brindou com um desafio bastante diferente do habitual. 
Os 14 participantes viram-se envolvidos numa sessão de "Brain Storming" em redor do tema da ocupação humana no estuário do Guadalquivir durante o II milénio a.C., com o intuito de gerar uma grande quantidade de ideias através da participação e pensamento criativo do grupo para se procurarem novas interpretações para o problema apresentado. Uma técnica de grande interesse certamente merecedora de ser aplicada ao caso de estudo do Outeiro do Circo num futuro próximo. 
No dia 10 de Agosto foi a vez de Rui Mataloto, arqueólogo da Câmara Municipal do Redondo, que já havia estado presente em 2016 com um tema sobre a Idade do Ferro na região de Beja, nos trazer os resultados do seu trabalho sobre o povoamento da Idade do Bronze na Serra d`Ossa e o caso particular de Evoramonte, um dos maiores povoados deste período. 
A sessão inaugurou o ciclo de conferências sobre os grandes povoados da Idade do Bronze e decorreu no Núcleo Museológico da Rua do Sembrano, tal como as restantes, contanto com 24 assistentes.
A 17 de Agosto, perante 37 interessados, recebemos o professor Ignacio Pavón Soldevilla, da Universidade da Extremadura (Cáceres, Espanha) com uma apresentação sobre o paradigmático sítio do Castillo de Alange, situado nas proximidades de Badajoz. 
A terminar este ciclo, no dia 24 de Agosto, contou-se com a presença de um investigador intimamente ligado ao Projecto Outeiro do Circo, não só por ter participado em todos os ciclos de conferências de 2014 a 2017, mas sobretudo por estar ligado ao seu estudo inicial e ter-se envolvido directamente como colaborador activo desde 2008, falamos de António Monge Soares, nome incontornável no que se refere ao estudo do Bronze do Sudoeste. Esta última sessão que contou com 17 presenças, centrou-se num dos casos melhor conhecidos da Idade do Bronze regional, o povoado do Passo Alto, situado em Vila Verde de Ficalho.
Para finalizar resta dizer que consideramos que os principais objectivos da realização destes 4 ciclos de conferências foram totalmente atingidos, tendo sido possível proporcionar momentos de formação especializada aos participantes nas escavações arqueológicas e ao mesmo tempo criar novos públicos contribuindo para uma maior sensibilização para a salvaguarda do património arqueológico e para o seu entendimento como factor de desenvolvimento local. Mas um balanço total dos 4 ciclos realizados ficará para uma outra altura.
Mais uma vez queremos manifestar o nosso maior agradecimento à Câmara Municipal de Beja pelo apoio concedido à realização destas actividades e sobretudo pelo seu envolvimento directo e por terem acreditado que era possível apostar na organização de conferências de arqueologia em Agosto em Beja (!!!) sem receios.